sábado, 8 de maio de 2010


MARILIA
(Marilia Mayer)

Quero dizer-te algo que realmente fizesse você se apaixonar por mim, algo tão simples e forte que pudesse fazer você admirar-me como se eu fosse à última mulher inteligente, admirável e apaixonante. Queria poder fazer algo para que seus amigos se apaixonassem por mim também, homens, mulheres, apaixonarem por quem eu sou, por quem eu fui e por quem eu posso, por quem um dia eu serei, por quem um dia eu pude ser e por alguma razão sou essa hoje, não sei se melhor nem se pior, mas quem eu sou hoje, não importa, nem eu mesma sei. Posso ser várias em uma só, enquanto muitos são um só. O que podemos fazer, o que podemos querer, limites para desenvolver, perceber, pensar, criar alguém sabe se tem? Não sei os meus muito menos os seus e nem quero saber, o bom mesmo é ir me conhecendo e te conhecendo aos poucos. Você que me prende de um modo tão forte, é tão lindo e tão medonho ao mesmo tempo, é raro e real, mas me dizem que um dia você morrerá que estou te matando de pouquinho a pouquinho, por uma mão que eu não te estendo, por um abraço que te nego e nego também a todos que te conhecem e me falam que você fica triste com isso, você fica? Queria muito saber, já ouvi você chorar, até vi você se revoltar fiquei com tanto medo e isso só porque você não tinha dinheiro. Aliás, os outros não tinham dinheiro ou tinham demais e descontaram tudo em você, porque joga toda porcaria deles na sua cabeça?
Seus cabelos estão caindo, suas lágrimas estão secando e quando eu olho pra você só vejo fumaça saindo da sua cabeça, suas pernas seus braços nem sei mais se você tem, e eram tantos, e eram diversos e eram coloridos que mais pareciam um arco-íris de diversidade. Ah, meu mundo porque fazem isso contigo, queria tanto que você me percebesse e se apaixonasse por mim. Você que me dá tudo, e eu nem percebo e eu que te dou tudo, confesso, às vezes as coisas não são tão boas assim, mas eu quero te ajudar viu? Pede pro seu amigo sol iluminar a cabeça daqueles que te maltratam e pra sua irmã Lua curar todas as feridas daqueles que como eu, que de uma forma ou de outra tentam te ajudar, e pro seu pai perdoar aqueles que tentam mas de alguma forma torta não conseguem te ajudar. E olha, vou desabafar com as minhas amigas tudo aquilo que você me contou, quem sabe elas podem nos ajudar. Queria ser apaixonante e realmente queria poder fazer algo para que me tornasse admirável pra você.
Torne-se admirável pra alguém, mesmo que esse alguém seja tão grande como o mundo que você nem consiga abraçar. Se me permite uma dica, seja apaixonante primeiro para o mundo quem sabe ele num alguém melhor pra te apresentar?

quarta-feira, 17 de fevereiro de 2010



Galera, voltamoss...depois dessas ferias longas e exaustivas o blog esta de volta. Pedimos perdao pela demora e prometemos muitas novidades para esse ano, confira e veras....Hoje contamos com o texto divertido e interesantissimo da professora Deda Lizz, tenho certeza que adorarão...para voltarmos em grande estilo ...Abraços a todos e bem vindos ao voz da vez



DÉDA
(Déda Lizz)
- Quem apagou a luz?
- Não fui eu!
- Nem eu!
- Pera aí... Se não foi nenhum de nós três... Ou foi um fantasma, ou...
-ACABOU A LUZ!!! - Gritaram freneticamente. Afoitos. Andam. De um lado a outro. Mãos na cabeça. Choro. Picos de adrenalina. Seria o fim?
- E os meus emails?!
- E a minha escova?!
- E a minha novela?!
Mãe e filha teceram o jogral:
- NOVELA?! Há, há, há!
- É... Novela sim. Porque não? Eu trabalho o dia inteiro vendo mulher feia. Chegando em casa eu quero ver a Taís Araújo sim! É o mínimo que o macho provedor desta casa precisa para sua sobrevivência sadia, caramba!
- Sonhando em ser o Zé Mayer, homem? Vai cair da cama... E ainda quebrar o piso!
- Ta com ciúme, mãe?
- Ciúme desse troço? Se ainda fosse o Zé... Ai, ai. Alguém sabe das velas?
- No armário. Fica com ciúme não, gostosa. Adoro seu bumbum.
- Pai!!! Essa bunda é minha!
- Ai, caramba! Alguém pode explicar porque essas crianças crescem?
- É a forra do mundo com os malandros, maridinho. Todo malandro tem filha mulher. E elas crescem.
- Amor... Deixa de ciúme. Vem cá. Cadê você, hein?
- As velas, meu Deus! Sumiram! Larga meu traseiro, homem...
- Mãe. Achei as velas.
- Onde?
- Você não vai acreditar... Na geladeira.
- Não pode ser. Quem é idiota ao ponto de pôr velas na geladeira?
- Querida, eu...
- Que mal eu fiz a Deus...
- Eu achei que eram balas... Pra que embalagem de velas tão coloridas?
- E você põe bala na geladeira?
- Pra ficar geladinha...
- Mãe, você viu o fósforo?
- Não vi não, filhinha.
- Ta no banheiro, filha. Pode ir lá.
- Onde, pai? No banheiro?
- Ah! Vocês não sabem que a melhor maneira de disfarçar cheiro de cocô é riscar um fósforo?! Ninguém sabe disso?
- Eca! Que nojo, criatura!
- Vem cá! Só eu aqui cago por acaso?

Então a filha acende a vela.
- E agora?
- Como assim “e agora”, pai?
- É. Como assim, amor?
- O que faremos?
- Hum...
- Vejamos...
- Que tal conversarmos?
- NÃO! – Mãe e filha. Taxativas.
- Não falo com gente velha.
- E nem eu com crianças! Nem com maridos malucos.
- Como assim? A senhora passa horas no salão de beleza tagarelando. A senhorita passa horas no MSN com aquele ser que atende pela alcunha de Sequelado! Qual é o problema comigo afinal?
- Pai, a gente nunca conversa. Por que hoje?
- É. Você nunca quer discutir o nosso relacionamento. Por que hoje?
- Estamos sem luz, caramba! Sem TV, internet, telefone... Só temos um ao outro! É o momento de nos confraternizarmos a luz de velas. É lindo!
- Cruzes! Vou ligar pra Light agora!
- Vou com você, filhinha...
Continua...
*Mais em jequitibanagaiola.zip.net

sábado, 2 de janeiro de 2010

Nota dos editores


Bem galera, gostaríamos de nos desculpar pela falta de atualização de nossa página, mas nosso editor-chefe, e gerenciador do blog, Rogerinho Mielke teve alguns problemas pessoais e não pôde manter nosso espaço atualizado. Mas não se preocupem, a partir de hoje vou dar uma forcinha para nosso amigo editor, atualizando o blog, se possível, diariamente.
Por favor, não deixem de mandar seus textos, pois quem constrói este blog não sou eu, a Lêthy ou o Rogério, e sim vocês, colaboradores.
Beijão à todos!

Nanda

segunda-feira, 28 de dezembro de 2009


PIETRO

(Pietro Mello)

Ano Novo

Esta manhã João se levantou, lavou o rosto, tomou seu copo de café matinal, espiou os filhos que ainda dormiam, beijou a esposa e foi trabalhar. O dia parecia normal, não fosse por um detalhe: antes de sair, o pedreiro arrancou a última folhinha do calendário grudado à geladeira e sorriu, era 31 de dezembro.

Este ano foi duro na vida de João. A construção de um grande prédio na cidade parecia não acabar mais. Tijolo em cima de tijolo e uma quantidade interminável de pedras davam a sensação de que a obra nunca chegaria ao fim. Porém, ao acordar e confirmar que era o último dia do mês de dezembro, o construtor respirou fundo e encheu seu peito de esperanças.

Ao chegar à construção, João estava feliz. Subiu as escadas do prédio assobiando, pegou sua pá cantando e sujou seu rosto de cimento contando anedotas. Almoçou a fria comida sentindo um sabor inigualável. Às cinco da tarde, olhou no relógio empoeirado e viu que ainda faltavam três horas para terminar o expediente. O céu foi escurecendo e as oito horas chegaram. João desceu as escadas cansado, mas ainda assim animado; abriu os braços e disse aos colegas que os esperava logo mais à noite em sua casa. Há dois meses, o homem já vinha convidando a todos a passarem a virada do ano com ele. Guardou um bom dinheiro para que fizessem uma bela ceia e pediu à mulher que preparasse um belo jantar. Chegando em casa, o pedreiro deu um grande beijo na esposa e abraçou os filhos. Tomou banho, colocou sua melhor roupa, penteou os cabelos e engraxou os sapatos. Os amigos foram chegando um a um e a casa foi se enchendo aos poucos.

Naquela noite o pedreiro bebeu, fumou, dançou, comeu e gargalhou. A meia noite estava próxima, e a euforia da chegada de um novo ano alegrava, cada vez mais, o coração do homem.

Dez

Nove

Oito

Sete

Seis

Cinco

Quatro

Três

Dois

Um

O ano novo chegou. João se despediu de todos e foi dormir, estava cansado e teria muito serviço no dia seguinte. Aquele seria um ano de muito trabalho.

segunda-feira, 21 de dezembro de 2009


MARILIA
(Marilia Mayer)

Olhava daquela janela e o que via eram sorrisos, trocas, juntamente com o isqueiro para acender mais um cigarro. Aqueles olhos vermelhos que por vezes metiam medo eram os que choravam por piedade ao serem expulsos de casa. Aquelas pessoas que todos os dias esperavam seus pares sentadas no banco daquela praça escura e sem graça eram as mesmas que trabalhavam de sol a sol para conseguir um prato de comida. Estavam cansados de serem pegos, presos, maltratados e mesmo assim continuavam. Comodismo? Talvez; mas o que se sabe, ou melhor, o que se diz é que quem comandava o tráfico era o filho do presidente. Presidente que tentou colocar um pouco de ordem no país e que algumas raras vezes conseguiu, não conseguira fazer isso ao menos uma vez em sua casa. Corrompidos pelo sistema.Diz-se que era revoltado com o pai, o tal presidente, porque dedicava mais seu tempo para discursos para o país do que para um Bom Dia à seu filho. A mãe? Dizem que o casamento era fachada e que ela acudia o filho toda vez que ele chegava de porre em casa enquanto o pai dormia porque estava cansado.Nunca saberá se isso é verdade, se é mito. o que se sabe com certeza, é que aquelas pessoas sentadas em volta daquela fogueira, falando em voz alta e bebendo mais uma garrafa de vodca eram as que mais necessitavam de uma ajuda, as que mais trabalhavam, as que mais queriam uma mudança. Mas como tudo tornou-se normal, até mesmo a infelicidade, elas tentavam se acostumar a viver sobre os olhares suspeitos da vizinhança.

sexta-feira, 18 de dezembro de 2009

MISTO QUENTE

Galera, depois dessa longa parada do blog, porem necessaria, estamos voltando com tudo. Apartir de hoje os textos continuarao sendo diarios e com novos escritores...entao sejam bem vindos de volta.Abraços a todos.




MISTO QUENTE

Que chova sobre nós entao.

Ontem tivi uma experiencia que com certeza me marcou muito e vou me lembrar por muito tempo. Eu vi um longa metragem de uma galera de cachoeira gente, é isso mesmo, de Cachoeira do Sul, cidade do interior do Rio grande do sul.E ele se chama CHUVA SOBRE NÓS, lindo nome.

Alem disso o filme é excelente, mostrando uma historia emocionante e deixando uma mensagem que realmente tocou o coraçao das mais de 500 pessoas que estavam na estreia. Essas pessoas com certeza sairam como eu de lá, surpreendidos, encantados e acima de tudo emocionados.
O filme conta a historia da personal trainner Maria Paula, que descobre que está gravida ao mesmo tempo que está com cancer de mama, entao ela tem que optar, ou gera esse filho que ela tanto sonhou, ou faz o tratamento do cancer, que ainda encontra-se pequeno porem em ascensão.Ela encontra forças nas suas melhores amigas desde a infancia e no seu marido que mostram ser pessoas fundamentais para ajuda-la na luta contra a doença.

Outra coisa que me deixou muito contente, foi que a verba arrecadada na estreia, mais de mil reais, foi revertida para o IMAMA. Belissima açao daa equipe do filme.
O longa é do premiado diretor cachoeirense Cristianno Caetano, e tem como atores principais Francine Schumaker,Carolina Alberto , Gabriela Carpes, Rafael Machado e Cleo Moretti.
Bom pessoal fica aqui minha dica de cinema, longa metragem, nacional e mais que isso da nossa cidade, com nossos talentos e que TALENTOS. Chuva Sobre nós, com certeza voce vai se emocionar.




sexta-feira, 4 de dezembro de 2009


FERRONY

(Alessandro Ferrony)


O declínio do underground (que aqui nunca existiu)


Pensei em escrever um pouco sobre o underground, afinal, este é meu chão, é daonde eu vim, rato de porão sim, senhores, com muito orgulho e devoção, embora um tanto fora de forma e com pouco excitação neste momento para protagonizar num cenário que domino. E, num exercício buscando fazer um apanhado das coisas positivas que constituem esse verdadeiro estilo de vida, vi que se fosse empilhar minhas experiências nas próximas linhas, meus escritos cairiam num saudosismo barato. Algo que aprecio, é verdade, mas às vezes evito. E é isso que no momento venho tentando, ou evitando.
Por isso tento fugir do personagem que sempre fui pra poder escrever como um voyeur. Não vai ser fácil... hoje em dia o underground se tornou grife. Bom por um lado (para alguns) porque traz à tona o talento de muita gente, bandas, artistas, agitadores e defensores da propagação dessa que é também uma visão de mundo. Mas não são todos aqueles que estão satisfeitos com isso, e eu sou um deles.
Claro que eu fico contente quando vejo, por exemplo, alguma banda formada por amigos, e são tantas, conseguir se destacar e com muito esforço passar a fazer shows para outros tipos de público, mais abrangentes, gravar um cd (hoje em dia já nem sei se sonham com isso, por causa do mp3 e da internet), começar a ganhar uns pilas com sua arte. É bacana, inegavelmente. Mas eu que não sou músico já vejo por outro lado, o de cara que conhece umas paradas bem exclusivas e que se sente roubado quando a manada descobre aquele biscoito fino que até então só você e mais meia dúzia de “pesquisadores musicais” (eta termo bonito, sô!) conheciam o sabor.
Podem chamar de egoísmo que eu não me importo, mas às vezes o anonimato é o que preserva a identidade de certos artistas. Ora, uma vez que se tornem conhecidos e reconhecidos, passarão a ter uma cobrança maior e, dependendo do contrato que assinarem, serão obrigados a deixar que qualquer produtor metido a entendido manipule até mesmo o jeito de se vestirem e as respostas que devem dar em coletivas de imprensa. Será que vale a pena?
Sem contar que no meio dos cifrões o romantismo sempre se perde. Ou alguém aqui acha que atualmente, depois de tomarem várias pauladas na cabeça, as gravadoras apostam em novos nomes baseando-se somente na honestidade do trabalho e na divulgação da arte? Convenhamos, é a mesma coisa que insistir em crer na virgindade de Maria...
Então vamos combinar assim: o underground virou mainstream e todos estão satisfeitos... não, eu não aceitaria esse tipo de proposta! Nunca! Em Cachoeira, de fato, ele nunca existiu. Existiam pessoas ligadas em bandas e comportamentos mais alternativos, mas foram sendo cooptadas pelo sistema e pela mídia com o tempo, e sem maiores resistências. Restam poucos guerreiros, mas em número insuficiente para organizar de verdade uma cena pela primeira vez. Seriam os moleques de 11 ou 12 anos que hoje passeiam pela Sete usando camisetas do Simple Plan e do Nirvana os responsáveis pela construção de algo que aqui nunca existiu? Não levo muita fé, mas espero que me surpreendam e que, dentro de poucos anos, a gente possa viver o “udigrudi” por aqui e que não seja preciso atravessar a ponte do Fandango pra poder ter esse tipo de experiência de vida, que eu já tive fora, mas quero um dia experimentar do lado de cá das barrancas do Jacuí. A minha parte eu sempre fiz e continuo fazendo, esse evento mesmo que estou produzindo, Under Night, que rola dia 12 desse mês no Náutico, é mais uma “semeadura”.
Vamos ver se depois desse novo “plantio” a molecada vai saber cuidar do broto, até que vire tronco e dê frutos. Sim, eu sou teimoso. E que João Gordo nos abençoe!