quinta-feira, 29 de outubro de 2009

A VOZ DA GALERA
(Fernanda Fernandes)

Apelo verde esperança
Esses dias fui surpreendida com a seguinte visão: uma menininha de mais ou menos seis anos, chamando a atenção da mãe por esta ter colocado papel no cesto de lixo orgânico. Fiquei maravilhada com a cena, uma criança tão pequena, com uma consciência ecológica tão agucada. Mas meu ânimo não durou muito tempo. A mãe, contrariada pela represália da filha, logo emendou: "Não faz diferença, é tudo lixo...". Ah, assim me enfraquece, né?! A criança ali, disposta a cooperar para que os netos dela ainda tenham um planeta pra viver, e a mãe, muito inteligente, responde que coleta seletiva é perda de tempo.É por causa dessa falta de preocupação, que o nosso planeta está literalmente derretendo. Quem se importa com a alta emissão de carbono? o que interessa é ter um carro e não precisar andar de ônibus lotado. Quem se importa com a separação do lixo? isso exige muito tempo do seu dia.Desculpem o clichê, mas o planeta está morrendo e nós não fazemos nada mais a não ser olhar o fim se aproximando...

quarta-feira, 28 de outubro de 2009


FERRONY

(Alessandro Ferrony)

Errar e assumir: vocês estão prontos?

Confesso que como colunista deste blog ainda não me dei a oportunidade e o respeito aos demais colegas de ler as colunas alheias pra saber por onde vai o pensamento de meus parceiros escribas. Isso é um erro e é motivado pela correria e pela preguiça, duas belas e solenes desculpas que todo mundo adota, não importa a ocasião. Mas logo colocarei a leitura em dia, essa semana ainda, tenham absoluta certeza.

Pois bem, mas este meu erro não chega a ser grave. Hoje eu vou tratar de um erro maior, quando a gente erra na hora de votar. Eu já errei na hora de votar. Não na última eleição, que foi local. Nessa eu votei certo pra prefeito e pra vereadora e estou me orgulhando das minhas escolhas. Mas na penúltima vez que votei errei feio, bem feio.

Taí uma coisa bonita e útil: admitir o erro, dar o braço a torcer. Uma coisa é a gente votar em fulano ou ciclano e depois cobrar se achar que não estão correspondendo às nossas expectativas, individuais e coletivas, evidentemente, e dar aquele puxão de orelhas pra ver se entram na linha. Mas tem aqueles que a gente vota errado e depois percebe que são baita falcatruas e chefes de quadrilhas, inclusive, que daí não tem como a gente se manifestar porque em alguns casos não vale a pena.

Mas em outros casos é bom a gente deixar que sangrem até a última gota, entronados e com o cetro na mão, mas bastante debilitados e tomando pau da mídia diariamente. Mídia esta que é bom salientar que JAMAIS será mediadora da realidade, e sim ATRIZ DA POLÍTICA, assumindo o papel e induzindo os leitores/telespectadores/ouvintes/internautas a votar naqueles candidatos que forem mais convenientes e servis aos interesses dos donos das empresas de comunicação (leia-se $). O que não dá mais é a gente ficar assistindo a mídia escolher o candidato que ela quer e ir na onda, achar que somos nós que estamos elegendo A ou B. A mídia não é só uma atriz, é uma prostituta. Uma putana dessas bem baratinhas, que fazem ponto no meio-fio com a bunda e as tetas à mostra.

Então, já sabem: ano que vem tem eleição outra vez e creio que a maioria dos leitores deste blog não tenha ainda idade suficiente pra ter votado mais que duas vezes na vida, então, se em alguma dessas oportunidades já erraram, dia 03 de outubro de 2009 terão a chance de acertar, pra não deixar que o nosso estado e o nosso país sejam eternos palanques de politiqueiros falastrões e palco de negociatas escusas.


terça-feira, 27 de outubro de 2009


REREVOLUÇÃO

(Matheus Tatsch)

"Paguei 10 reais

e repeti o prato

Já o outro

pagou com sua vida

e não repetiu

nem o dia"

segunda-feira, 26 de outubro de 2009

XIS

(Leticia Pereira)


Eles são a Lenda
Sou fã de Stephen King. Acho que o único escritor que se compara a ele é Richard Bachman (isso foi uma piada pra quem não sabe Bachman é um pseudônimo do Stephen). Todo autor é meio louco e todo louco que se preze tem um pseudônimo. Estou escolhendo um pra mim...
Voltando a falar sobre o meu ídolo, o melhor escritor de contos de horror fantástico e ficção de sua geração (não discuta comigo). Seus livros foram publicados em mais de 40 países e muitas das suas obras foram adaptadas para o cinema. Deu pra entender né, que eu sou muito fã do cara. E quando vou à biblioteca da faculdade dar uma “espiada” na estante 813 (uma estante inteira de livros de terror) ocasionalmente encontro outros loucos como eu. Puxamos papo, falamos de coisas “cultas” e tal e é claro sobre o Stephen. Então um deles me pergunta: sabe qual é o autor preferido do Stephen? Richard Matheson.

Nunca tinha ouvido falar do cara. Mas, como uma fã que se preze, pesquisei no Google. E adivinhem? Conheço e muito bem o cara. E ele é literalmente O CARA. Jornalista, escritor e roteirista de filmes. Me apaixonei.
E aposto que você também conhece ele. Quem não chorou olhando Amor Além da Vida? Ou se apavorou com o seriado Além da Imaginação? Quem não se emocionou com o Dr.Robert Neville se sacrificando para salvar o mundo em Eu Sou a Lenda? Um filme pós-apocalíptico de ficção científica/terror de 2007, dirigido por Francis Lawrence e estrelado por Will Smith. É a terceira filmografia adaptada do livro homônimo de Matheson, precedida por Mortos que matam (1964) e A Última Esperança Sobre a Terra (1971) – todos absolutamente distintos, representando o cinema de suas épocas.

Smith interpreta o virologista Robert Neville, que é imune a um vírus originalmente criado para curar o câncer. Ele trabalha para criar uma cura enquanto vive em Manhattan no ano de 2012, numa cidade habitada por mutantes vítimas do vírus transmitido pelo ar, diferente do livro que é atemporal e fala da infecção da população por vampirismo. O mais impressionante é que em 1954, Matheson detalha como um ser tão mitológico quanto o vampiro, pode ser explicado de forma lógica e científica. A Warner Bros detém os direitos do livro desde a década de 70 e quase lançou o filme em 90, com Ridley Scott como diretor e Arnold Schwarzenegger como protagonista, mas o orçamento cresceu tanto que ambos deixaram o projeto.
Livro e filme não trazem finais felizes para Neville (o filme tem um final alternativo feliz nos extras do DVD), porém o livro é mais apocalíptico e pessimista, há certa reflexão sobre o comportamento do protagonista para com os infectados, ele até se sente atraído pelas mulheres. Robert Neville do livro é uma lenda no sentido pejorativo, como se fosse um ser realmente extinto, que fica trancado em casa, bêbado, se lamentando. Já o Dr. Neville, soldado e cientista, no filme é um herói, um mártir.

Quer saber? Leia o Livro, veja o filme! Que ao que tudo indica terá uma seqüencia, com o roteiro feito pelo próprio Richard Matheson.

domingo, 25 de outubro de 2009


CONTO DA VEZ
(Pietro Mello)


A Moldura

Ela: era de um dourado desbotado, cujo brilho fora levado pelo tempo. Havia lascas e arranhões num dos cantos. As florzinhas em relevo que enfeitavam as bordas, agora já tomavam ares de natureza morta. Fora comprada pelo velho, logo que casara há mais de meio século numa pequena lojinha de bugigangas que ficava localizada na esquina da rua principal, e desde então, nunca saíra daquela parede verde musgo.

Em sua essência: a imagem em preto e branco. Um homem vestindo um calção de listras, o peito nu, os dentes tão alvos quanto as nuvens dum dia claro, o corpo magro e os cabelos lisos e molhados. Abria os braços como se abraçasse o vento; uma mulher de longos cabelos louros segurando pela mão um menino, seus cachos, apesar de estáticos, dançando com a brisa, e o sorriso estampava em seu rosto a alegria do momento; o menino tinha um ar sério enquanto segurava sua mãe pelos dedos. O cabelo era escuro e muito curto, a pele bronzeada e os olhos semi-serrados pelo forte sol; o mar ao fundo tremulava, e ao olhar os guarda-sóis, tinha-se a impressão de que a qualquer momento levantariam voo e alcançariam o céu.

A moldura guardava em si, longas datas de existência. Desde a foto, muito tempo se passou. A mulher morrera fazia dez anos, vítima de problemas pulmonares. O garoto, agora vivia longe. Casara-se com uma mulher mais velha havia treze anos. Antes, ele e a mulher visitavam a casa de parede de musgo uma vez por ano. Após a morte da mãe, as visitas tornaram-se meros telefonemas no natal.

Ele: tinha a barba branca e longa, a testa enrugada e os olhos pareciam grandes demais através dos óculos de lentes grossas. Sentado na velha poltrona vermelha, apoiava os pulsos numa bengala de madeira forte. As veias muito aparentes saltavam na mão branca. A perna direita a tremer, a esquerda a dormir. Contemplava a essência da moldura. Olhava-se nela e lembrava-se dos tempos em que a praia era seu maior refúgio. Onde o tempo parecia sossegado e o planeta dava a impressão de estacionar em sua órbita. Pensava na esposa que possuía aqueles cachos tão dourados e brilhantes. Recordava os castelos de areia que construía com o filho. Lembrou-se da vez em que ao terminarem de construir um castelo, uma forte chuva começou a cair. Todos saíram do mar. As pessoas fecharam suas cadeiras e barracas. As mulheres e crianças se exaltaram. Os relâmpagos iluminaram o céu, e as ondas se tornaram assustadoramente grandes. O pai e o filho apenas permaneceram com os olhos voltados para a sua construção na praia , e assim ficaram até as gotas destruírem sua última torre.
O olhar não dizia nada, mas em seu íntimo pensava apenas, que os dias foram claros e felizes e que a vida valera a pena. A imagem alegre da família enchia sua mente de todas as lembranças boas que guardava.
Aos olhos vieram a imagem do jardim que a esposa regava com tanto cuidado todas as manhãs. Da casa na árvore que fizera certa vez para o filho, e de cada sorriso e abraço familiar.
Se olhasse agora pela janela, veria apenas galhos escuros pelo chão. Contemplaria folhas secas que o vento leva e traz. Enxergaria a areia do deserto em seu próprio quintal e inspiraria somente a melancolia do lugar.

Solidão: o vazio das sensações em seu peito.
Por isso, preferia vislumbrar a parede de musgo e a natureza morta que era a moldura, mas principalmente gostava de sentir sua essência. Esta sim lhe trazia as memórias, os gostos, os cheiros e lhe permitia tocar o passado com os dedos.
De repente: uma lágrima a correr debaixo dos seus óculos.
Os olhos se apagando, a respiração sumindo , a perna até então trêmula, a adormecer. O pensamento se esvaindo. A alma se transformando em anjo. As mãos se abrindo. Um último suspiro. Uma bengala ao chão.

Morte: algo que não se representa numa moldura, mas que fica para sempre nas memórias de sua essência

quinta-feira, 22 de outubro de 2009


FERRONY
(Alessandro Ferrony)

A Coordenadoria e os estudantes
Eu pensava que nunca ou que então fosse demorar bastante até eu escrever algo pra coluna relacionado ao meu trabalho. Mas como exerço um cargo público também não tem porque não trazer à tona certos aspectos do meu cotidiano, misturando o pessoal e o profissional. Bom, espero que não seja algo desinteressante... acho que não. Pois bem, como noticiado anteriormente, inclusive aqui no blog (vá até os links de arquivo), Cachoeira agora tem o seu órgão governamental gestor de juventude. Em alguns municípios é secretaria, em outros diretoria, aqui se chama Coordenadoria Municipal de Políticas Públicas Para A Juventude. Uma tripa esse nome, né? Mas isso é o que menos importa e a galera já tá chamando simplesmente de Coordenadoria da Juventude. E o que mais importa é o trabalho que eu e as coordenadoras-adjuntas temos para desenvolver.

Através desse órgão o nosso município já pode se habilitar ao Pronasci Pleno. O Pronasci é um programa do Governo Federal e através dele Cachoeira já obteve algumas conquistas, como viaturas para a polícia, computadores, etc. Mas para poder acessar recursos do Pronasci Pleno, ou seja, um Pronasci mais encorpado, é pré-requisito a administração municipal ter um órgão gestor de juventude. Agora tem, e por uma questão estratégica ainda não estamos divulgando com quais modalidades do Pronasci já estamos envolvidos, justamente porque os trâmites burocráticos demoram, é ofício pra lá, ofício pra cá, ligação pra deputado tal em Brasília, mil detalhezinhos. Mas fiquem atentos, nos próximos meses tem coisa boa a que a gurizada nem sonha chegando no pedaço...

No momento nosso cavalo de batalha é a reorganização do movimento estudantil secundarista, que já foi muito forte e reconhecido até fora do país, já teve dirigente da finada Umesc que viajou para fórum de estudantes em Cuba para falar sobre a experiência do movimento estudantil cachoeirense. E é por essas e por outras que eu não consigo aceitar que esse movimento tenha morrido. Por isso, e inclusive é algo que está previsto por lei, a Coordenadoria tá botando uma pilha aí na gurizada dos grêmios estudantis das escolas que tem Ensino Médio, pra que somem esforços, sem vaidades e com muito suor, para que a voz dos estudantes de Cachoeira volte a ser ouvida. Os estudantes sempre tiveram opinião e não podem agir de maneira passiva. Tem escolas aí onde a direção quer mais é que os alunos sejam ovelhinhas obedientes, que não saibam questionar. E a galera peca muito hoje em dia com o individualismo. Todo mundo quer se dar bem, é claro, isso ninguém condena, quem não quer? Mas há maneiras e maneiras de se dar bem. E por que não fazer um trabalho em conjunto, onde não só alguns, mas todos possam se dar bem? E é no bem coletivo que eu não consigo parar de pensar.

O jovem não pode ser um cordeirinho na mão de um professor ou diretor, tem que se rebelar, questionar e, questionando sua própria escola, questiona a sociedade. Questionando a sociedade, questiona o mundo. E isso se chama transformação. Nesse sentido, já demos os primeiros passos, animadores. Tem um povo aí bastante interessado e a grupo vai aumentar. Alguns toques que eu precisava dar já dei e agora é só persistir, pra que daqui a pouco a gurizada possa ter uma nova associação de estudantes fortes, ou que ressuscitem uma das que já existiram por aqui, como eles bem quiserem, e possam ter a autonomia necessária, sem precisar de vínculo com nenhum governo e nenhum político, independência mesmo.

E eu, vestido ou despido do cargo de coordenador da Juventude, como cidadão vou estar sempre aí pra dar uma mão. Avante, gurizada.


terça-feira, 20 de outubro de 2009


MISTO QUENTE

(Rogerio Colombelli Mielke)

Bom pessoal na coluna de hoje, eu gostaria de compartilhar com voces um texto que recebi por email, e acho que vale a pena repassa-lo.Abraços a todos e espero que gostem.


EU, sentar ao lado de um negro?????

(FOLHA DE SÃO PAULO / março 2006)

Uma mulher branca, de aproximadamente 50 anos, chegou ao seu lugar na classe econômica....e viu que estava ao lado de um ...passageiro negro.Visivelmente perturbada, chamou a comissária de bordo.

- Qual o problema, senhora?, pergunta uma comissária.

- Não está vendo? respondeu a senhora.- Vocês me colocaram ao lado de um negro. Não posso ficar aqui. Você precisa me dar outra poltrona.

- Por favor, acalme-se, disse a aeromoça. Infelizmente, todos os lugares estão ocupados. Porém, vou ver se ainda temos alguma disponível'.

A comissária se afasta e volta... alguns minutos depois.

- Senhora, como eu disse, não há nenhum outro lugar livre na classe econômica. Falei com o comandante e ele confirmou que não temos mais nenhum lugar nem mesmo na classe econômica'.E continuou:

- Temos apenas um lugar na primeira classe.E antes que a mulher fizesse algum comentário, a comissária continua:

- Veja, é incomum que a nossa companhia permita à um passageiro da classe econômica se assentar na primeira classe. Porém, tendo em vista as circunstâncias, o comandante pensa que seria escandaloso obrigar um passageiro a viajar ao lado de uma pessoa tão desagradável .E, dirigindo-se ao senhor negro, a comissária prosseguiu:

- Portanto, senhor, caso queira, por favor, pegue a sua bagagem de mão, pois reservamos para o senhor um lugar na primeira classe.

E todos os passageiros próximos, que, estupefatos, assistiam à cena, começaram a aplaudir, alguns de pé.